Redução de Perdas de Água | Estratégias 

Neste segundo artigo da temática “Redução de perdas de água” explicamos em que consistem as perdas de água, porque acontecem e quais as abordagens a ter para as combater.

Mas antes de partirmos para lá, vamos entender quais os componentes que compõem o chamado “Balanço hídrico”.

O seguinte esquema mostra o esquema relativo aos consumos e perdas de água nos sistemas de abastecimento:

Em relação aos componentes do Balanço Hídrico temos que:

  • Volume de água no sistema - Volume anual de água que entra no sistema de distribuição;
  • Consumo autorizado - Volume anual de água, medido ou não medido, que foi efetivamente consumido. Inclui-se ainda o volume de água exportada e as fugas existentes após o ponto de medição dos clientes;
  • Água não faturada (ANF) - Diferença entre o volume de água introduzido no sistema e o consumo autorizado que é efetivamente faturado. Assim, a ANF representa as perdas de água acrescidas de uma fatia que traduz o consumo autorizado não faturado;
  • Perdas de água – Diferença entre o volume de água introduzido no sistema e o consumo autorizado, representando o conjunto das perdas reais e aparentes;
  • Perdas aparentes – Também designadas por perdas económicas, correspondem a consumos ilícitos e furtos. Pode ser estimado verificando o número de ligações ilícitas, o número de contadores avariados e utilizando estimativas de consumo per-capita para calcular o volume usado. São as perdas mais difíceis de localizar.
  • Perdas reais – Volume de água perdido, na rede e nas infraestruturas, através de todo o tipo de fugas, ruturas e extravasamentos das condutas, reservatórios e ramais, até ao ponto de medição do cliente.

Contudo, apesar da percentagem de água não faturada ser o indicador largamente mais comum e mais facilmente percecionado por todos os intervenientes, o uso das percentagens para quantificar “água não faturada” deve ser utilizado com atenção quando se pretende utilizar esse indicador como forma de comparação entre diversas entidades.

O seguinte fluxograma mostra-nos as principais influências num sistema de abastecimento:

Perdas aparentes

São as mais difíceis de localizar, sendo alvo de planos de ação a médio e longo prazo. Dividem-se em duas componentes:

  • Consumos não autorizados (por exemplo, furtos de água);
  • Imprecisões na medição dos consumos (por exemplo, erros de medição e falhas no manuseamento dos dados.

 

Principais fatores que contribuem para as perdas aparentes:

  • Imprecisão dos contadores
    • Submedição causada por caudais baixos e baixa precisão devido à idade e uso excessivo;

    • Classe de precisão baixa;

    • Contador obsoleto;

    • Política inadequada de manutenção ou substituição.

  • Intervenções ilÍcitas sobre o medidor
    • By-pass ao contador;

    • Vandalismo ou intervenção indevida.

  • Subfaturação (erros ou fraude do leitor/cliente)
    • Erros no software de faturação;

    • Erro na transferência de dados;

    • Leituras fictícias.

Gestão das perdas aparentes

As metodologias aplicadas no controlo ativo das perdas aparentes incluem diversas vertentes, a saber:

  •  Gestão cuidada do parque de contadores;
  •  Implementação de uma política de combate aos consumos não autorizados;
  •  Controlo e análise dos dados recebidos;
  •  Controlo do manuseamento e integridade dos dados de faturação.

Desta forma, devem ser efetuados planos de verificação metrológica, seleção adequada dos contadores e da renovação do parque de contadores de forma a, não só respeitar as determinações regulamentares, mas, também, a manter o rigor da medição.

PERDAS reais

Caracterizam-se pelo volume de água que não chega ao cliente pois fica perdido na rede e infraestruturas de uma entidade gestora.

Estas, podem ser visíveis ou invisíveis, sendo que, no segundo caso, poderão existir durante um longo período sem que sejam detetadas. Mesmo quanto detetadas, não é posível quantificar exatamente o valor, pelo que na maioria dos casos é necessário executar testes e ensaios.

As suas causas mais comuns são:

  • Estado das principais condutas de transporte e distribuição;
  • Material, idade e cuidados das condutas;
  • Número e qualidade das ligações de serviço ou ramais;
  • Pressão de serviço a que o sistema é submetido e flutuações de pressão ao longo do dia;
  • Número e estado das válvulas, ventosas e hidrantes;
  • Estado dos órgãos de proteção contra os regimes transitórios hidráulicos;
  • Proteção contra a corrosão;
  • Materiais utilizados nas reparações;
  • Estado dos reservatórios;
  • Condições geotécnicas e estabilização do solo;
  • Cargas de tráfego automóvel ou outros veículos.

Estratégias de controlo e redução de perdas físicas de água

Na implementação de qualquer estratégia, há que considerar os custos que decorrem das perdas de água no sistema e os benefícios que advirão dos resultados conseguidos com a implementação de uma estratégia de redução de perdas.

É necessária, ainda, haver uma setorização da rede em Zonas de Monitorização e Controlo (ZMC).

Existe um modelo simples, baseado em quatro ações essenciais, que são imprescindíveis aquando da adoção de uma estratégia de redução de perdas.

 

As nossas soluções para enfrentar o desafio da redução das perdas de água atuam em:

  • Modernização eficiente de infraestruturas envelhecidas;
  • Redução de perdas e consequente redução de custos;
  • Prevenção de danos nas redes de abastecimento de água;
  • Aumento da eficácia na resposta em situações de emergência;
  • Projeto Smart City que incrementa ganhos energéticos;
  • Correto abastecimento e melhoria na experiência do cliente.